Diario de um GNU

Blog de um entusiasta de software livre.

Mantenha Simples, Estúpido.

Como a simplicidade pode complicar as coisas

Relato por Carlos Silva

Primeira distro GNU/Linux

A primeira distribuição GNU/Linux que baixei e instalei em meu computador foi Ubuntu 12.04 “Precise Pangolin” em abril de 2012. O sistema utilizava um ambiente de trabalho de nome Unity, uma modificação do Gnome 3. Unity era um ambiente de trabalho muito bonito, porém, pesado.

Ubuntu foi o sistema operacional recomendado por um professor de um curso de administração de redes de computadores que participei em 2012. Mantive este sistema em meu computador por pouco mais de um ano (até maio de 2013), depois disso, migrei para Linux Mint 15 “Olivia”. Utilizei este sistema até meados de abril de 2015.

Debian, amor a primeira vista

Debian é um sistema operacional composto totalmente por software livre. Ela teve sua estreia em agosto de 1993, mas, só a conheci em abril de 2015, durante o “installfest” no festival latino-americano de instalação de software livre (Flisol) que acontecia na concha acústica, campus da universidade federal de pernambuco (UFPE).

O sistema operacional me fascinou com sua leveza e praticidade. Ao contrário do zunzum de alguns que dizem não ser indicado para iniciantes, não tive grandes problemas no início, apenas configuração de repositórios, adicionar usuário ao grupo sudo e instalação de firmware (opcional). Somente isso.

Na imagem abaixo, um exemplo da organização do interior do meu quarto e o momento da instalação da Debian em meu computador em abril de 2015.

Instalando Debian na minha carroça “Debian Install DVD1” por Jake Hume, licenciado sob: CC BY-SA 2.0

Migrando para o Parabola GNU/Linux-libre

Parabola GNU/Linux-libre é um sistema operacional fundamentado como uma versão livre do Archlinux. Assim como seu sistema base, Parabola GNU/Linux segue o principio KISS: Keep It Simple, Stupid (Mantenha Simples, Estúpido).

Parabola difere do Archlinux em seu desenvolvimento, pois, utiliza apenas pacotes otimizados para arquiteturas: i686, x86-64 e ARMv7 usando licenças de software livre. O sistema também utiliza o kernel GNU/Linux-libre: núcleo do sistema operacional, livre de blobs binários e firmware proprietários.

Parabola também é assegurado pela Free Software Foundation (FSF) como um sistema operacional totalmente livre.

O motivo de largar a Debian e admitir o Parabola como sistema operacional para o meu computador foi o meu descontentamento com a posição de alguns desenvolvedores do projeto Debian que seguiam, irracionalmente, uma campanha promovida por Red Hat e Projeto Gnome contra o retorno de Richard Stallman à diretoria da Free Software Foundation.

Outros grandes projetos, como: Fedora, KDE, SUSE e Mozilla se uniram à Red Hat e Gnome na campanha de cancelamento ao Patriarca. A muvuca provocada por desenvolvedores destes projetos gerou dois abaixo-assinados; um contra o retorno de RMS à Free Software Foundation e um a favor, isto é, total apoio ao retorno de Stallman à Free Software Foundation.

Problemas específicos na pós-instalação

Os problemas que tive com a distribuição Parabola podem ter sido um caso isolado, uma má sorte ou desconhecimento da minha parte. Por isso, deixo entendível que não estou desmerecendo as qualidades do sistema operacional nem o trabalho dos desenvolvedores.

Parabola“Parabola-installer” por https://www.parabola.nu/ licenciado sob: CC BY-SA 3.0

A maior parte dos problemas ocorrem depois do sistema instalado. Mas, um problema que me chamou à atenção foi as falhas no carregamento da página web enquanto estava usando uma VPN. A página ficava com repetição (loop) no carregamento e não abria de jeito nenhum. Não sei ao certo se este problema tem ligação com a VPN, mas durante dois dias não consegui acesso ao site do Parabola.

A versão que utilizei para instalação: Live DVD Parabola + LXDE + SystemD, completo! Instalador gráfico Calamares. O Hardware computacional utilizado: CPU Celeron 430 1.8 Ghz, 4GB RAM DDR2 e 40GB HD.

O carregamento do sistema em modo live deu-se de forma rápida e sem problemas. O ambiente utilizado, LXDE, tinha resposta rápida! Era possível abrir o navegador web Iceweasel, abrir o gerenciador de arquivos PCManFM e o Terminal com instruções em andamento, um depois do outro, sem lentidão alguma.

A instalação usando o Calamares ocorreu de forma satisfatória. Com o fim da instalação e reinício do sistema, o desktop estava aparentemente pronto, até surgirem os problemas...

  1. Não era possível mudar o tema padrão do ambiente LXDE. O tema era o mesmo do modo live. O pacote LXAppearance encontrava-se instalado, mas estava danificado. Para resolver o problema, precisaria reinstalá-lo (veja problema número 6).
  2. O fuso horário do sistema apontava para os Estados Unidos. Este problema não foi tão difícil de resolver. Primeiro ativei o serviço: systemd-timesyncd.service, depois editei o arquivo de configuração: /etc/systemd/timesyncd.conf e deixei igual ao do Archlinux: arch.pool.ntp.org. No final da configuração usei: timedatectl set-ntp true, para sincronizar o relógio no novo fuso horário.
  3. O idioma português brasileiro para o teclado apresentava várias teclas mortas ou acentos em locais diferentes. Este foi um verdadeiro maracatu para resolver, muitas teclas encontrava-se em locais diferentes, precisava teclar uma por uma para memorizá-las e inserir alguns comandos para corrigi-las. Fui direto ao ponto. Localizei o mapa de teclado correto com: localectl list-x11-keymap-layouts e editei o arquivo /etc/X11/xorg.conf, mas, o teclado não mudou o layout de jeito nenhum. Partir para a ignorância, criei um pequeno script com setxkbmap -model abnt2 -layout br -variant ,abnt2 e o teclado finalmente mudou o layout para português brasileiro.
  4. O gerenciador gráfico de pacotes Octopi não sincronizava com o repositórios oficiais do Parabola e não instalava pacotes. Octopi é um gerenciador de pacotes gráfico para pacman, ele é uma mão na roda para instalar pacotes, remover pacotes, configurar repositórios e atualizar todos os pacotes do sistema operacional com apenas alguns cliques do mouse. Funciona de maneira semelhante ao Synaptic da Debian. Infelizmente não estava funcionando (veja problema número 6).
  5. O gerenciador de redes exibia conectado e desconectado em intervalos de alguns minutos. O gerenciador de redes (network-manager) apresentava um problema intermitente. Em certo momento encontrava-se conectado, depois de 10 a 15 minutos desconectava e alguns segundos depois conectava novamente. Não explorei uma forma de resolver o problema. Deixei do jeito que estava.
  6. Este talvez seja o pior dos problemas... as chaves de TODOS OS PACOTES apresentavam inconsistências, alguns não tinham se quer assinaturas. Não era possível fazer absolutamente NADA! Conectar ao servidor de chaves era impossível, devido à impugnação do acesso. Esta etapa exigiu leitura, precisei ler todo artigo de assinatura de pacotes (Package signing) da wiki.archlinux.org. Fiz tudo que a wiki recomendou, usei o servidor indicado e quando achava que o problema seria solucionado, no primeiro pacman -Syu os problemas de chaves voltavam e pioravam ainda mais, os pacotes corrompiam. Dependências desencontradas, falta de assinatura de pacote, sem acesso ao servidor de chaves (por impugnação), um verdadeiro caos!

Passei quatro dias corridos avaliando e tentando corrigir os problemas que surgiram na pós-instalação do Parabola GNU/Linux.

Alguma coisa me dizia (provavelmente a consciência pesada) que não deveria ter feito esta migração.

Parabola GNU/Linux tem muito potencial, usei-o por quatro dias e me surpreendi com a leveza do sistema, até mesmo em modo live era super rápido. Outro ponto que me chamou a atenção foram algumas configurações básicas de segurança, como: OpenVPN por padrão, um firewall configurado e também ativado por padrão. Não cheguei a perceber se o sistema possuía uma ferramenta contra ataques, como é o caso do SELinux ou AppArmor.

Parabola não é muito diferente do Archlinux em sua estrutura, ele apenas utiliza pacotes selecionados com licenças de software livres.

De volta a Debian

Cogitei usar Trisquel GNU/Linux, já estava baixando a imagem do sistema operacional. Trisquel é um sistema totalmente livre, fácil de operar, ele é indicado para usuários domésticos iniciantes, pequenas empresas e centro educativos (Escolas, Associações, Universidades, etc). Desisti de instalá-lo.

Não sou mais um usuário iniciante, porém, também não sou avançado a ponto de usar Gentoo ou Funtoo em CLI por exemplo. Posso dizer que sou intermediário e Trisquel não é adequado para mim.

Poderia muito bem ter instalado o Archlinux e depois transformá-lo numa espécie de Parabola. Sim, isso é possível. Seria necessário trocar os repositórios do Archlinux pelos do Parabola, depois, instalar somente pacotes com licença livre incluindo também o Kernel. Caso não saiba, Linux-libre está disponível no AUR.

Sistema Operacional Debian“Debian net boot” por Kai Hendry, licenciado sob: CC BY 2.0

Meu retorno ao sistema operacional Debian consistiu de uma decisão equivocada como base em emoções, pois, pretendia cancelar a Debian e migrar para uma distribuição aprovada pela Free Software Foundation.

Houve uma votação no projeto Debian com a participação dos desenvolvedores sobre o retorno de Richard Stallman a diretoria da Free Software Foundation. A votação durou quase uma semana, e no dia 18 de Abril foi divulgado o resultado: a maioria dos desenvolvedores optaram em não participar do cancelamento de RMS. Fiquei aliviado.

Sim, faltou prudência de minha parte. Achei que o projeto Debian estava apoiando uma zombaria quando na verdade eram algumas pessoas dentro do projeto (DDs).

Bom, de qualquer modo, estou feliz novamente, voltei com a Debian, de onde não deveria ter descasado.

Licença de Cultura livre

Licença Creative Commons
Este obra está sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Como Me Tornei um GNU

De janeleiro à entusiasta de Software livre

Relato por Carlos Silva

O janelamento

Eu também já fui um janeleiro, usuário do sistema proprietário, Janelas. Era um janeleiro não porque gostava do sistema janelas, mas, por ser o único sistema operacional, a mim, apresentado em todos ambientes de tecnologia que frequentava.

Quando estive na fase da adolescente (entre 16 e 17 anos), os primeiros cursos básicos de informática que fiz eram ministrados em computadores com sistema operacional “Janelas 95”. Era o que tinha de melhor na época. Meu primeiro contato com um computador deu-se, numa sala de aula, de uns dos imoveis do instituto Malba Lucena.

Microsft Windows 95“Microsoft Windows 95” por Josef Rousek, licenciado sob: CC-BY 2.0

Malba Lucena era uma instituição privada, uma das poucas na década de 90 na região metropolitana de Recife, a oferecer cursos de informática a baixo custo. Para se ter uma ideia da popularidade, as salas de aulas eram lotadas em todos os horários de treinamentos.

Com o conhecimento básico em mãos, pude então, elevar meu conhecimento no sistema proprietário. Fiz um curso de automação comercial na, hoje extinta, cruzada de ação social. Os computadores do laboratório possuíam hardware modesto: CPU Intel Pentium III, 512MB de memória RAM e 40GB de armazenamento (HD IDE). Todas as máquinas rodavam o sistema operacional Janelas 98.

Na juventude (entre 19 e 20 anos) fiz meu primeiro curso de manutenção de computadores pelo instituto universal brasileiro... sim! pelos correios! Não tinha dinheiro naquela época para fazer um curso profissional no SENAC. O jeito foi apelar para um curso via correios.

O curso era bastante simples, no pacote haviam duas apostilas, algumas ferramentas como multiteste e um DVD com videoaulas sobre montagem de computadores desktop. O sistema operacional apresentado, nas videoaulas, para instalação nos computadores era; Janelas 2000.

Fiz outros cursos de manutenção de microcomputadores, e pasmem, todos tinham como base de estudo, o sistema operacional proprietário, Janelas.

Conhecendo o sistema operacional GNU/Linux

Foi durante um curso básico de administração de rede de computadores, ministrado pelo instituto de cidadania e desenvolvimento social em parceria com a secretaria de juventude e emprego do governo do estado de pernambuco que ouvi pela primeira vez, a palavra; LINUX!

GNU/Linux “GNU & Linux” por Ti.mo, licenciado sob: CC BY-NC-SA 2.0

Professor Sérgio, com seu laptop HP, apresentava à sala, os slides feitos com LibreOffice Impress, referentes ao curso de redes de computadores. Fiquei encantado com o sistema operacional inserido no laptop do professor Sérgio.

Enquanto fascinado pela beleza do ambiente de trabalho do sistema operacional no laptop, uma aluna também admirada, perguntou ao professor: Que Windows é este? O professor Sérgio de imediato respondeu: Isto é Linux!

  • Linux? Indaguei.
  • Sim, respondeu o professor. Este linux chama-se; Ubuntu.

O professor recolheu os slides e reservou um tempo de sua aula para mostrar a toda sala, as maravilhas do sistema operacional Ubuntu. Foi incrível!

Passei parte da infância, adolescência até o início da juventude sendo adestrado num sistema operacional proprietário e não sabia que existia outro sistema além do Janelas. Aquelas imagens do ambiente de trabalho do Ubuntu ficaram em minha mente, voltei à casa, abobalhado.

No dia seguinte, perguntei ao professor em particular, como poderia obter o Ubuntu e quanto custava. O professor com sorriso no rosto, havia dito que poderia baixar uma cópia do Ubuntu livremente na página do desenvolvedor (Canonical) e o custo que teria era; a compra de uma mídia DVD e de uma doação, de qualquer valor (opcional), ao desenvolvedor.

Fiquei feliz, comprei uma mídia DVD numa papelaria, baixei a imagem do Ubuntu por meio de torrent, fiz a queima da imagem na mídia e então comecei à avaliação do sistema operacional GNU/Linux. Depois de quase uma semana de avaliação no modo live, criei coragem e removi o sistema proprietário Janelas do meu computador.

Neste momento estava fechando uma janela, mas por outro lado, abrindo uma porta...

A janela para o mundo pode ser coberta por um jornal.

Unkempt thoughts‎ – Página 27, Stanisław Jerzy Lec – St. Martin's Press, 1962 – 160 páginas.

Contato com o Movimento Software Livre

Passado um ano com Ubuntu 12.04 instalado em meu computador, já não era mais um janeleiro, agora seria um “linuxero”. Contava pra todo mundo, para os colegas janeleiros, para a família e também aos vizinhos sobre GNU/Linux. A minha surpresa era a reação de recusa das pessoas. A reação de desprezo veio com força. tive a sensação de que as pessoas; colegas, família e vizinhos achavam estarem certas por usarem o sistema janelas e eu errado, por apresentar algo diferente.

Mesmo com o desacolhimento, não desanimei... continuei firme com o GNU/Linux.

Senti a necessidade de conhecer outras pessoas que utilizassem GNU/Linux também. E uma oportunidade surgiu quando passava por acaso pelo campus da universidade federal de pernambuco (UFPE) num dia de domingo. Vi uma movimentação no prédio da concha acústica, do lado de fora, havia uma faixa com os dizeres: OXENTE, Espaço Hacker... apropinquei-me.

Flisol Logo “FLISoL logo 2015” por Jared López L. (2005), Patricio Maciel (2008), Gabriel Campo (2009) e Xavier Araque (2014), licenciado sob: CC BY-SA 3.0

Em frente a entrada da concha acústica haviam algumas pessoas, muitos estudantes. Perguntei a uma jovem que vestia uma camisa do evento:

  • Olá, boa tarde, do que se trata o encontro?
  • A jovem: É um evento, na verdade, um festival sobre software livre.
  • Software livre? Indaguei.
  • A jovem: Sim, todos os anos nos reunimos para celebrar e instalar sistemas operacionais e ferramentas livres nos computadores dos usuários que participam do evento.
  • Mas, aqui diz: Oxente, Espaço Hacker.
  • A jovem: Oxente, Espaço Hacker é a produtora e organizadora. O evento, chama-se Flisol. Festival latino americano de Software livre.
  • Entendi. Posso dar uma olhada, quero dizer, entrar?
  • A jovem: Sim, a entrada é franca.

No interior da concha acústica havia uma quantidade razoável de pessoas, mas não o suficiente para lotar. Também havia uma palestra em andamento, mas não entendia do que se tratava. procurei um local para assentar.

Já passava das quatro horas da tarde, me preparava para ir embora. Mas antes, me aproximei de um conglomerado de pessoas e computadores... era o “installfest”. Fiquei observando alguns estudantes e seus laptops passando por um processo de instalação. Perguntei a um rapaz sentado com camisa do evento:

  • O que você está instalando neste laptop?
  • O Rapaz: Estou terminando de instalar a Debian.
  • Debian? Não conheço, por acaso é linux?
  • O Rapaz: Sim, ela usa kernel linux. Você trouxe seu computador, posso instalar para você, caso queira.
  • Valeu, mas não trouxe computador, estava só de passagem pelo campus. Uma coisa que reparei neste sistema foi o ambiente de trabalho, como se chama?
  • O Rapaz: Mate. Debian possui outros ambientes como Gnome, LXDE, XFCE e KDE. Você escolhe durante a instalação.
  • Massa! Onde consigo a Debian? Fiquei interessado. Quero fazer uma avaliação.
  • O Rapaz: Tenho alguns DVDs aqui, posso arranjar um para você.

“Debian 6 CD-DVD Label 64 bit 300dpi” por MiroZarta, licenciado sob: CC BY-SA 3.0

O rapaz levantou-se e dirigiu-se até uma moça bem simpática, ela foi até uma caixa no canto da sala e pegou um envelope, em seguida entregou a mim. Não havia nenhum tipo de inscrição na mídia. Agradeci aos dois jovens e parti.

Minutos depois de ter chegado em casa, liguei o computador e inseri a mídia no drive, deu boot. Esperei por um modo live como no Ubuntu, mas não aconteceu, foi direto para tela de instalação. Era Debian 8 Jessie.

Entusiasta do Software livre

Instalei o sistema operacional Debian sem problemas. Segui alguns um tutoriais para isso.

Fiquei pasmo com a leveza do ambiente que escolhi, XFCE, e por mais pessimista que fosse, TUDO FUNCIONAVA na Debian! Tudo! A estabilidade do sistema era colossal. Percebi de imediato que havia feito uma ótima escolha.

Participei de outros eventos do Flisol, nos anos: 2017, 2018 e 2019. Assistia todas as palestras, aprendi muito. Tomei conhecimento do movimento software livre, um movimento social e político, conheci a história do sistema operacional GNU, sobre o projeto GNU, da Free Software Foundation e seu fundador: Richard Stallman.

Levei comigo o conhecimento adquirido para a faculdade que frequentava: Instituto pernambucano de Ensino Superior (IPESU). Lá, não fiz muitos amigos, apenas dois camaradas de uma turma de mais de 20 pessoas se juntaram a mim. Felipe Silva e Davi Almeida.

Defendi o movimento software livre até o último período do curso de Rede de Computadores. Não foi fácil. Apresentava soluções livres as ferramentas proprietárias que os professores utilizavam. Para terem uma ideia da mentalidade janeleira, de oito professores do curso, sete usavam Janelas 10 e apenas um usava um Mac OS X.

Licença Publica Geral de GNU “GNU GPLv3 Logo” por Nooku, licenciado sob: CC BY-NC-SA 2.0

Fiz um pequena palestra sobre o uso das ferramentas de rede: Wireshark (GPLv2) e Nmap (GPLv2). Fiz e apresentei um pequeno projeto de rede doméstica usando GNS3 (GPLv3). Demonstrei num laboratório da faculdade a instalação do Debian (DFSG) numa máquina virtual: Virt-Manager (GPLv2). Demonstrei aos colegas de sala, numa apresentação, o uso do mensageiro GNU Jami (GPLv3) para conversas (chat), grupos, compartilhamento e videoconferências.

Meu trabalho de conclusão de curso (TCC/PIM) foi sobre o uso da ferramenta de monitoramento Zabbix (GPLv2). Utilizei as documentações da Debian e do próprio Zabbix para elaborar o conteúdo. O trabalho (TCC/PIM) foi redigido por completo no LibreOffice Writer (MPLv2 e LGPLv3).

Mesmo com todo esforço, não foi possível abandonar por completo as ferramentas proprietárias, as exigências dos professores e da coordenação da faculdade não eram favoráveis.

Continuo na luta, meio que remando contra a maré. Quando tenho oportunidade, apresento sem demoras soluções livres à ferramentas proprietárias. Seja lá onde for.

Viva ao software livre!

Licença de Cultura livre

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