Rondó XVI

Manuel Inácio da Silva Alvarenga in Glaura – Poemas Eróticos

Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lhe deem.

O tesouro se procura. Os desejos se interessam, Os cuidados já se apressam, E a ternura se vai também.

Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas: em vão, que perda triste! Só eu vi, sei onde existe, E dizê-lo não convém.

Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lhe deem.

Roubador do puro ornato Foi Antero e foi Cupido; E o levaram escondido Com recato, sei a quem.

Receosos pelo insulto. Que traidores cometeram. No teu seio se acolheram Onde oculto asilo têm

Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lhe deem.

Dos meus olhos não se escodem Os meninos, a quem amo: Se os procuro, espreito e chamo. Correspondem, mas não vêm.

Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostram faixa preciosa, Que atrativos mil contém.

Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lhe deem.

Se piedade aflito rogo, E que cessem teus rigores (Ah cruéis lindos Amores!) Fogem logo e com desdém.

Abrandá-los não consigo E já deles tenho medo; Guarda, Ninfa, este segredo. Que não digo a mais ninguém.

Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lhe deem.

Comentário

Acho que o problema não é o Arcadismo, mas sim os representantes (Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga), porque eu gostei muito deste poema. As referências são maravilhosas, o esquema de rondó ficou muito interessante e a linguagem não é cansativa como em Costa ou Gonzaga. Gosto muito do refrão dele e do encerramento. Vou até procurar mais poemas deste poeta.